Logística na Amazônia
Quase dois anos de trabalho em regiões de difícil acesso, com planejamento permanente para transportar equipes, equipamentos e suprimentos com segurança.

PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA
Uma verdadeira universidade do cinema, marcada por quase dois anos de desafios logísticos e aprendizado na Amazônia.
Memórias de produção — por Marcelo Torres

Se existe uma produção que posso definir como uma verdadeira universidade do cinema, essa produção foi Brincando nos Campos do Senhor. Permaneci quase dois anos na Amazônia trabalhando nesse filme, uma experiência que mudou definitivamente minha forma de enxergar a produção cinematográfica.
Fui responsável pelo departamento de transportes, uma das áreas mais estratégicas e complexas de toda a produção. E não era uma produção qualquer. O produtor era Saul Zaentz, um dos maiores nomes da história do cinema mundial, responsável por obras como Um Estranho no Ninho, Amadeus e O Paciente Inglês. Trabalhar em uma produção comandada por alguém desse nível já era, por si só, um enorme privilégio.
A estrutura era impressionante. O departamento de transportes administrava dezenas de veículos, 16 lanchas e dois aviões, sendo um deles um hidroavião, fundamental para alcançar regiões isoladas da Amazônia. Para se ter uma ideia da intensidade da operação, foram substituídas aproximadamente 150 hélices das embarcações ao longo das filmagens, consequência do desgaste provocado pelos rios amazônicos. Só esse dado já revela a dimensão logística que enfrentávamos diariamente.
O elenco reunia grandes nomes de Hollywood, além de técnicos consagrados internacionalmente, muitos deles vencedores do Oscar. Conviver com profissionais desse nível foi um aprendizado constante. Anos mais tarde, trabalhei em Diários de Motocicleta, outro filme premiado com o Oscar, reforçando ainda mais a importância dessas conexões construídas ao longo da carreira.
É impossível resumir, em poucas linhas, a dinâmica de um departamento de transportes em uma produção dessa magnitude. Eram decisões tomadas a todo instante, planejamento constante, solução de problemas em tempo real e uma responsabilidade enorme para garantir que pessoas, equipamentos e suprimentos chegassem aos locais de filmagem com segurança e no tempo certo.
Foi um trabalho extremamente desafiador, mas também um dos mais enriquecedores da minha vida. A experiência adquirida durante aqueles dois anos na Amazônia me deu uma base sólida para enfrentar qualquer produção, por mais complexa que fosse. Foi ali que compreendi, de forma definitiva, que produzir cinema é, acima de tudo, saber transformar desafios em soluções.
Olhando para minha trajetória, posso afirmar que Brincando nos Campos do Senhor foi uma das maiores escolas de produção que tive. Um aprendizado que levo comigo até hoje e que influenciou todos os filmes que vieram depois.
Quase dois anos de trabalho em regiões de difícil acesso, com planejamento permanente para transportar equipes, equipamentos e suprimentos com segurança.
Administração de dezenas de veículos e 16 lanchas. Dois aviões, incluindo um hidroavião. Uma estrutura fundamental para conectar as diferentes frentes da produção.
Convivência com grandes nomes de Hollywood e técnicos consagrados, em uma produção comandada pelo produtor Saul Zaentz.
“Foi na Amazônia que compreendi, de forma definitiva, que produzir cinema é, acima de tudo, saber transformar desafios em soluções.”